Esposa vai a júri por morte de PM baleado com a própria arma após revelação de filho fora do casamento em MT
21/09/2026
(Foto: Reprodução) Policial Militar Walber Diego Coene morreu após disparo da própria arma durante briga com esposa
Reprodução
Juliane Rodrigues de Almeida será julgada pelo Tribunal do Júri pela morte do marido, o policial militar Walber Diego Coene, de 37 anos, baleado com a própria arma dentro da casa onde o casal morava, no Bairro Morada da Serra, em Cuiabá, na madrugada do dia 27 de janeiro de 2024. O julgamento foi marcado para 10 de dezembro, às 9h.
A decisão que definiu a data foi assinada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá. Juliane responde por homicídio qualificado por motivo torpe.
O g1 tentou localizar a defesa de Juliane, mas não havia conseguido até a última atualização desta reportagem.
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Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), antes da morte, Walber havia revelado durante uma reunião com familiares e amigos que manteve um relacionamento extraconjugal cerca de quatro anos antes e que dessa relação nasceu um filho.
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Depois que os convidados deixaram a residência, o casal teria iniciado uma discussão. Conforme a denúncia, Juliane, motivada por ciúmes e inconformada com a revelação, teria pegado a arma do marido e efetuado o disparo que o matou.
A versão apresentada inicialmente, no entanto, era diferente. Na época do caso, familiares disseram à polícia que Walber estava armado quando ele e a esposa começaram uma discussão e entraram em luta corporal. Durante a briga, a arma teria disparado acidentalmente e atingido o ombro direito do policial. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado, mas Walber morreu ainda no local.
Ao longo do processo, a defesa de Juliane pediu a absolvição sumária sob a alegação de legítima defesa. Também solicitou que ela não fosse levada ao Tribunal do Júri por considerar que não havia indícios suficientes de autoria ou intenção de matar. Como alternativa, pediu a mudança da classificação do crime e a retirada da qualificadora.
A Justiça, porém, decidiu que Juliane deveria ser submetida a julgamento por homicídio qualificado por motivo torpe. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mas a Primeira Câmara Criminal manteve a decisão. Embargos apresentados posteriormente também foram rejeitados.
O caso chegou ainda ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o recurso da defesa não foi conhecido pela Quinta Turma. A decisão que determinou que Juliane seja julgada pelo Tribunal do Júri se tornou definitiva em 18 de agosto de 2026, após o fim dos recursos contra essa etapa do processo.
Agora, a Justiça considerou o processo pronto para julgamento e marcou a sessão para 10 de dezembro de 2026, às 9h. Caberá aos jurados decidir sobre a acusação apresentada contra Juliane.
Quem era o policial
Walber Diego Coene era natural de Cuiabá e havia ingressado na Polícia Militar em fevereiro de 2011. Na época da morte, trabalhava na 3ª Companhia Independente da Polícia Militar, em Santo Antônio de Leverger.
Após o caso, a Polícia Militar lamentou a morte do policial e prestou solidariedade aos familiares. A família também informou à polícia, na época, que Walber fazia acompanhamento psicológico e havia pedido afastamento da corporação.