Os melhores e os piores shows do Rock in Rio 2026... Os destaques e as decepções do festival
14/09/2026
(Foto: Reprodução) Hwasa se apresenta no Rock in Rio 2026
Leo Franco/AgNews
Após sete dias de diferentes programações, o Rock in Rio 2026 acabou neste domingo (13). Mais de 120 atrações passaram pela Cidade do Rock, do metal ao k-pop, reunindo centenas de milhares de pessoas.
O g1 acompanhou e cobriu todos os shows dos palcos principais: Sunset e Mundo. Abaixo, veja os destaques positivos e negativos desta edição do festival.
As listas foram feitas com base nos reviews do g1, que fez a cobertura dos principais shows do Rock in Rio. Os critérios levam em conta não só a relevância e talento de cada artista. A apresentação no festival, a reação da plateia, a escolha do setlist, a execução das músicas e a parte técnica da performance também são fatores considerados nos rankings.
Os melhores shows do festival
10. Stray Kids
Stray Kids canta 'After you' no Rock in Rio
Eram oito integrantes no palco e muito a se falar sobre a performance deles, mas é difícil escapar do clichê: no show do Stray Kids, o maior espetáculo veio da plateia.
Em sua segunda vinda ao Brasil, após shows em estádios do Rio e de São Paulo no ano passado, o grupo mostrou suas credenciais para ter se tornado headliner da primeira noite de K-pop da história do Rock in Rio.
Foram recebidos por gritos, cantoria e muitas, muitas dancinhas dos STAYs, codinome dos fãs. Eles retribuem com coreografias precisas no palco, com destaque para a de “Domino”. Com tanta dança, é claro que eles se apoiam em vocais de apoio gravados, mas é fácil notar que há partes cantadas ao vivo, como o trecho de “Ai se eu te pego”, hit na voz de Michel Teló. Leia mais sobre o show do Stray Kids.
9. Foo Fighters
Foo Fighters abre show no Rock in Rio com 'All my life'
No fechamento da primeira noite de Rock in Rio, o Foo Fighters deu aos fãs o que eles esperavam. Foi uma performance segura, fruto de seis vindas anteriores ao Brasil. Aos 57 anos, Dave Grohl provou estar em boa forma como cantor. Quem é fã sabe que a voz dele já deu sinais de desgastes por problemas médicos. Aliás, é provável que o otorrino dele não aprove essa ideia aí de cantar o show inteiro mascando chiclete.
Além de trocas no repertório em relação ao The Town 2023, como as inclusões das baladas “Wheels” e “Marigold”, a maior novidade foi a troca de baterista. Ilan Rubin, correto em sua função, entrou em 2025 após a saída de Josh Freese, que tinha assumido o posto de Hawkins no evento em São Paulo. Como no festival paulistano, "Aurora", do álbum "There Is Nothing Left to Lose" (1999), foi dedicada ao baterista, que tocou no Foo Fighters de 1997 a 2022, quando morreu. A balada era a música favorita dele.
Outro momento emocionante, "Marigold" não estava no setlist de 2023. A música escrita por Grohl apareceu primeiro em "Pocketwatch", disco que ele lançou em 1992 com o projeto Late!. O Nirvana, banda anterior de Grohl, gravou uma versão em 1993, como lado B do single "Heart-Shaped Box". Leia mais sobre o show do Foo Fighters.
8. Marina Sena
Marina Sena rasga boneco no Palco Sunset, do Rock in Rio
Marina Sena finalmente estreou no Rock in Rio, no Palco Sunset, no domingo (13). A artista já tinha passado pelo festival como convidada de Luísa Sonza e até pelo The Town, para cantar Gal Costa; mas só agora, em 2026, ganhou um show para chamar de seu.
Podendo mergulhar em seu próprio repertório, Marina aproveitou para expandir suas “Coisas Naturais”. O disco fala sobre raízes e identidade da cantora, natural de Taiobeiras, no norte de Minas.
O que norteou o show, musical e visualmente, foi essa pegada orgânica: rabeca, violões e percussões soltas, roupas e elementos como se feitos à mão. Leia mais sobre o show de Marina Sena.
7. Pedro Sampaio
Pedro Sampaio leva mar de leques ao Palco Mundo
Pedro Sampaio abriu a programação de um Palco Mundo do Rock in Rio entupido de gente por todos os lados no sábado (12) com um show que marcou o início de uma nova fase da carreira.
Para quem estava em dias anteriores do festival, deu para notar a diferença com outras atrações que tiveram a missão de abrir o Mundo no mesmo horário (Luísa Sonza, por exemplo) até pelo mar de vipões espremidos nas muretinhas de vidro dos camarotes.
Ao longo do show, ele e os dançarinos brincaram de guerra de travesseiros como numa boa festa do pijama. Plumas e penas voaram por todos os lados durante a batalha. Leia mais sobre o show de Pedro Sampaio.
6. Jamiroquai
Jamiroquai toca ‘Space Cowboy’ no Rock in Rio
A banda britânica Jamiroquai estava meio deslocada no line-up do dia de k-pop no Rock in Rio. Nesta segunda vez pelo festival – 15 anos após a última –, o grupo ocupou um espaço peculiar entre as atrações: tocou no Sunset, logo antes do headliner Stray Kids, no Palco Mundo.
Com essa concorrência desleal, as fiéis “stays” (fãs de Stray Kids) ficaram por lá, e o Sunset acabou virando, de modo geral, estacionamento de pais… e alguns filhos. E segundo Zé Ricardo, curador do festival, falou ao g1, essa era a intenção.
A sorte é que um bom groove é atemporal, e até as crianças presentes (por insistência dos pais, provavelmente) estavam dançando. Essa é a fórmula mágica do acid jazz do Jamiroquai, que mescla funk, soul, disco com elementos eletrônicos do house ao hip-hop. Baixo inquieto, percussão apertada, teclas com brilho, e ninguém no público ficou parado. Leia mais sobre o show do Jamiroquai.
5. João Gomes
João Gomes & Orquestra Brasileira animam público do Rock In Rio com ‘Frevo Mulher’
Depois de conquistar público e estrelas de diversos gêneros musicais, incluindo bambas da MPB, João Gomes resolveu mostrar que tem a senha até para conquistar um bom espaço no Rock in Rio, abrindo as portas do piseiro e ampliando as do forró no festival.
O artista pernambucano voltou ao festival para cantar ao lado do que chamou de Orquestra Brasileira — uma banda montada especialmente para a apresentação.
Tudo isso dentro do possível no ambiente do festival, claro. A orquestra de frevo acabou se misturando ao som da música pop que tocava em estandes de marca, o que deu uma pequena quebra no Carnaval de João. Mesmo assim, muita gente se reuniu para acompanhar o cortejo e entrou na onda. Leia mais sobre o show de João Gomes.
4. Péricles canta Motown
Multidão canta 'I'll Be There' com Péricles no Rock in Rio
Quem já foi a algum show de Péricles, já deve ter visto ele inserir no meio de seus sucessos do samba e do pagode a faixa "Stand by Me", da lenda do soul Ben E. King. Mas para sua apresentação no Palco Sunset, do Rock in Rio, nesta segunda-feira (7), o artista fez deste gênero o principal. E único.
Péricles deixou para trás a linha musical que o consagrou, abraçou hits do soul e do R&B norte-americanos e usou o português somente para conversar com o público. Leia mais sobre o show de Péricles.
3. Bring Me The Horizon
Bring Me The Horizon toca ‘Dehumanized, hit do 1° álbum lançado em 2006 e relançado este
Praticamente com um CPF para chamar de seu, Oli, o vocalista, fez de um tudo: chamou fã vestido de camisa do Brasil para cantar no palco, surpreendeu a plateia que o acompanha desde o inicinho com músicas do primeiro álbum e até se embananou chamando Rio de Janeiro de São Paulo.
A plateia, devota e provocada pelo cantor, tratou rapidamente de formar o maior número de rodinhas que conseguiu, com direito a sinalizadores de tudo que é cor.
No meio do bate-cabeça, ninguém parecia estar nem aí se o mapa do videogame estava sendo jogado em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Leia mais sobre o show do Bring Me The Horizon.
2. Hwasa
Hwasa canta ‘Maria’ no Rock in Rio 2026
Ao entrar (desfilar, na verdade) no Palco Mundo, Hwasa virou parte da história do Rock in Rio. Afinal, cantou no dia da estreia do k-pop no festival, o que fez dela a primeira artista solo (e primeira mulher) do pop sul-coreano por aqui.
Esses marcos combinam com a identidade da cantora: Hwasa se posiciona como uma popstar firme, desbravadora e até feminista para os moldes do k-pop. A artista, que é integrante do girlgroup Mamamoo, consolidou sua carreira solo ao cantar sobre autoestima, empoderamento e sexualidade sem aquela polidez habitual das idols coreanas.
Deu pra ver isso logo de cara. Hwasa já entrou com a música que leva o nome dela, seguida da enérgica “Chili”. De microfone ligado, deixou claro que é diva pop “old-school”: canta bem, dança muito, tem presença de palco e sensualiza um bocado.
1. Elton John
Elton John toca 'Your Song' no Rock in Rio
A volta de Elton John ao Brasil, após 11 anos, trouxe grandes hinos românticos e o cantor trajando um terno de paletó amarelo fluorescente e camisa azul-marinho. Em sua terceira vinda ao Rock in Rio e oitava vez no país, Elton se tornou o headliner mais velho da história do festival.
Com um repertório que o fez vender mais de 300 milhões de discos em todo o mundo, Elton passeou pelo melhor do rock radiofônico, com baladas imbatíveis como “I Guess That’s Why They Call It the Blues” e “Goodbye Yellow Brick Road".
Sentir ao vivo o peso desses clássicos ganha outros contornos quando se sabe que Elton desacelerou o ritmo na carreira. Só que ele segue entoando “I’m still standing” e a torcida é para que continue em pé por muito tempo. Leia mais sobre o show de Elton John.
...E os piores
5. J Balvin
J Balvin canta 'Perversa' com Pedro Sampaio no Rock in Rio
Estreante no Rock in Rio, J Balvin convocou o DJ Pedro Sampaio para subir ao Palco Mundo. Juntos, eles cantaram "Perversa", feat lançado por eles em 2024. Em seguida, Pedro disse que tinha um "presente" para Balvin e chamou Melody para apresentar "Jet ski".
Depois do show do brasileiro, J Balvin tinha a importante missão de manter o clima dançante antes de entregar o espaço para Demi Lovato e Maroon 5. As estrelas ainda se apresentariam ao longo da noite que tinha o “pop mainstream” como veia.
Balvin emendou várias músicas e até conseguiu manter o público animado, embora bem menos engajado do que o de Pedro Sampaio. A presença do DJ brasileiro animou bem mais a plateia. Leia mais sobre o show de J Balvin.
4. Luísa Sonza
Luísa Sonza faz público dançar com 'Motinha 2.0 (Mete Marcha)'
Quem leu o nome do show “Luísa Sonza convida Menescal” pensou que a cantora faria uma homenagem à bossa nova tendo o ícone do estilo com algum destaque. A cantora gaúcha, porém, entregou seu recorrente show pop com um pequeno bloco dedicado à bossa. Seria maldade dizer que o mais intimista da performance foi o público pequeno, o menor dentre as três performances dela no Rock in Rio?
Após mostrar força com duas vezes ao Rock in Rio, Luísa teve problemas nesta segunda (7). O pior deles foi a pouca presença de público. Era fácil chegar na grade. Bastava desviar de uns poucos fãs de Elton John, headliner da noite.
Outro problema foi o som. Ele estava embolado e estourado, com a voz da cantora por vezes escondida em uma massa sonora, principalmente em canções de batidas pesadas como “Motinha 2.0”. Era difícil entender o que ela cantava se você não conhece as letras e não se trata de um problema de dicção. Afinal, ela evoluiu bastante como cantora. Leia sobre o show de Luísa Sonza.
3. Hot Milk
Hot Milk toca 'Candy coated lie$' no Rock in Rio 2026
A banda britânica Hot Milk estreou no Rock in Rio em horário privilegiado: foi a penúltima atração do Palco Sunset na sexta (4). Mas um bom horário pode ser mais um fardo que uma vantagem, como a banda comprovou ao encontrar um público modesto – bem menos engajado que horas antes, com Detonautas e Biquini.
“Brasil, cadê vocês, p*rra?”, gritou a vocalista Han Mee, com expressão decepcionada ao entrar no palco.
Foi preciso explicar, didática e repetidamente, que ela queria ver gente, rodinhas punk e alguma resposta. Mas pouco funcionou com a apática galera desta sexta – o que deu certo, foi na marra.
Ficou a frustração, mas a sensação de que eles fizeram tudo o que podiam. Nem todo esforço do mundo salva uma banda que não está no palco certo na hora certa. Leia mais sobre o show do Hot Milk.
2. MGK
MGK toca 'My ex’s best friend' no Rock in Rio
Mesmo tentando apostar nas músicas mais pesadas de seu repertório, Colson Baker, nome real do artista de 36 anos, enfrentou uma plateia dividida. No começo, interrompeu o show para acalmar parte do público que o hostilizava.
Fãs de Avenged Sevenfold não morrem de amores por MGK, ao que parece. Meio nervoso, disse que era um cara de Ohio vivendo seu sonho e estava ali para cantar para seus fãs. “Existem dois tipos de música: boa e ruim”, explicou, sem deixar claro a qual das duas se dedicava.
Há momentos acima da média como a performance sóbria de “My ex’s best friend”, a última da noite. Em um festival dominado por emos, faria sentido, mas em uma noite de Rock in Rio voltada ao rock pesado, não funcionou. Leia mais sobre o show do MGK.
1. Nelly
Nelly canta 'Dilemma' no Rock in Rio
No chuvoso terceiro dia de festival, Nelly deixou bem claro que não veio para inventar. Com um DJ e um hype man (rapper de apoio), ele comandou uma festa nostálgica na qual basicamente grita palavras de ordem, rima e canta, trajando uma camisa de basquete da coleção da Nike dedicada a Michael Jordan e a Seleção Brasileira.
Não há banda de apoio, transições bem pensadas entre as músicas ou direção artística para aproveitar bem o mega telão. É como se três amigos subissem ao palco e ligassem uma playlist This is Nelly no estilo karaokê, incluindo o R&B “Just a dream”, de 2010, uma das mais cantadas.
Mesmo com uma performance tão enxuta, a plateia aprovou a ideia, embora não parasse de conversar. O pico da tagarelice vinha quando ele não estava cantando hits dele e de outros: de Michael Jackson e Hall & Oates a Journey. Eram apenas versões curtas com Nelly berrando por cima, como se estivesse cantando em seu chuveiro. Leia mais sobre o show de Nelly.